Slow living: o segredo para viver devagar e multiplicar o tempo

Diário de Notícias online | Joana Capucho | 19 janeiro 2019
«Nasceu na década de 1980 com a criação do movimento slow food como forma de protesto contra a fast food. Com o passar do tempo, alargou-se às viagens, à moda, à educação. Tornou-se uma filosofia de vida, que quer contrariar a agitação dos tempos modernos. Abrandar é a palavra de ordem.

Joaquim Soares viveu à entrada de um dos paredões da praia da Barra, em Ílhavo, durante 30 anos."Tinha a praia como quintal, o que convida a uma vida mais tranquila." Aos 45 anos, divide-se entre o trabalho numa loja de surf e o de instrutor da modalidade. Gosta de acordar cedo, ir tomar um café e ler um pouco antes de começar a trabalhar. Procura ver o mar várias vezes ao dia e, sempre que possível, faz surf à hora de almoço. Não gosta do ritmo acelerado da cidade. "Só o facto de ter de ir a Aveiro já é um incómodo."

Quando começou a ouvir falar no slow living, Joaquim identificou-se com este movimento, que pretende combater a vida acelerada das sociedades modernas. Para si, a vida lenta "é a chave para sair da hipnose da sociedade consumista. Acelerando o ritmo de vida, as pessoas ficam num modo em que não pensam sobre si e sobre as coisas, pelo que são mais facilmente manipuladas para, por exemplo, consumir". Não é imune a isso, confessa. "Mas tive a sorte de ter nascido aqui. Tenho a minha dose de automatismo, mas tento reduzi-la ao máximo." Um dos segredos, diz-nos, é assumir que o tempo não dá para tudo. "O tempo é um recurso limitado. Logo, só dá para fazer um determinado número de coisas. Faz parte do bom senso saber geri-lo."

Tal como Joaquim, são muitos os que seguem o movimento slow, e alguns sem sequer saberem que ele existe. "Já muito antes de existir enquanto nome, muitas pessoas identificavam-se com este estilo de vida. E são cada vez mais os que se preocupam em abrandar, viver com menos stress, de uma forma mais conectada com a natureza", diz ao DN, Raquel Tavares, presidente da Associação Slow Movement Portugal, que foi criada em 2009. Mas o que é, afinal, o slow living? "É um movimento que tenta equilibrar o mundo, que vive demasiado rápido, propondo uma maior brandura, mais lentidão, mais conexão com os ritmos naturais e biológicos", explica a antropóloga. Não implica mudar radicalmente de vida, nem ficar parado, mas abrandar o ritmo.

Nasceu nos anos 1980, em Itália, com o movimento slowfood, criado por Carlo Petrini e um grupo de ativistas, para reagir à tentativa de construção de um Mc'Donald's na Piazza di Spagna, no centro histórico de Roma. Defendia os alimentos "bons (saborosos), limpos (ambientalmente sustentáveis) e justos (socialmente éticos)". Com o passar do tempo, alargou-se às viagens, à moda, à educação. "Tornou-se um modo de estar, uma filosofia de vida. Fundamenta-se no tempo, na forma como vivemos o tempo, o dia-a-dia, a vida", diz Raquel Tavares, autora do livro Slow | As Coisas Boas Levam Tempo.

A Slow Movement Portugal nasceu depois de Raquel se confrontar com uma situação profissional em que tinha de gerir um número elevado de pessoas, de forma impessoal, desumanizada. "Isso fez-me despertar interesse pelo movimento", recorda. No início, teve receio de que fosse associado a "eremitas, preguiçosos, hippies ou pessoas que queriam fugir do mundo". Mas surpreendeu-se, "porque evoluiu noutro sentido".

O slow living é uma filosofia de vida que procura contrariar "o mundo excessivamente rápido, tenta valorizar o abrandar nas mais diversas áreas", dos relacionamentos à vida profissional. Implica, por exemplo, dar tempo aos amigos, aos afetos, às coisas simples da vida. Tal como ser exigente com as horas de trabalho, apostar no teletrabalho, nas medidas de flexibilização. Ter a consciência de que "trabalhar mais horas não é trabalhar melhor". Pode parecer impossível numa primeira fase, mas não é. Há quem faça cortes radicais e troque a cidade pelo campo, por exemplo, mas não é preciso fazê-lo para ter uma vida mais lenta. "A aproximação ao modelo slow também é lenta. Faz-se com passos moderados, com autodisciplina. Impondo limites", explica(...)»

NOTA: Este é um excerto do artigo referido em tópico, com a transcrição da parte da entrevista a Raquel Tavares, a Presidente da Associação. Para ler o artigo completo, clique aqui.

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